Cinema: Crítica – O Macaco
Osgood Perkins encantou a audiência no verão passado com O Colecionador de Almas, surgindo novamente no grande ecrã menos de um ano depois, com O Macaco.
Depois de Osgood Perkins ter encontrado a popularidade de culto em O Colecionador de Almas, era apenas uma questão de tempo até que o cineasta regressasse com mais um filme a celebrar o seu talento, desta vez com O Macaco, baseado numa história do célebre Stephen King. O autor tem visto algumas das suas obras adaptadas para o grande, e pequeno ecrã, com uma recepção mista por parte dos fãs. Será que esta conseguirá acertar no positivo?
Quando os dois irmãos gémeos Hal e Bill (Theo James) encontram um macaco de brincar no sótão da sua casa, estes apercebem-se de uma série de acontecimentos grotescos a acontecerem na sua vida. Ao tentarem desfazer-se da figura maquiavélica, e seguirem as suas vidas, o macaco volta a encontrar-se com eles anos mais tarde para os aterrorizar com mortes sangrentas.
Ainda que o conceito de brinquedos possuídos não seja novo, Perkins, no seu bom estilo, introduz elementos inesperados que nos deixam à beira do assento, enquanto saltita frequentemente nos extremos da comédia e do terror, repleto de risos à gargalhada e sangue a jorrar por todo o lado. É um espectro do qual o cineasta claramente se deixa levar, e indícios disso já teriam aparecido na sua obra anterior, aqui demonstrado de uma forma muito mais livre e relaxada; ainda que extremamente violenta e capaz de induzir muita ansiedade.
A própria obra de King é curta, mas o suficiente para inspirar um filme que orgulhosamente se insere na comédia sádica, quase a roçar a paródia do género, oferecendo uma leveza rara nos filmes do género. Perkins já teria mencionado anteriormente sobre a morte dos seus pais, e certamente O Macaco foi mais um dos veículos onde a arte é a sua catarse.
Enquanto que Theo James consegue balancear o papel duplo de gémeos – mais um elemento clássico dos anos 90 com uma reinterpretação fantástica – o restante elenco, com Colin O’Brien como o jovem Petey, participações especiais de Elijah Wood e Tatiana Maslany, compõem os muitos momentos assustadores e divertidos do filme, oferecendo uma dose interessante de liberdade criativa.
Assim, O Macaco demonstra-se em ser um filme que prova que Osgood Perkins está aqui para ficar, depois de um inicio de carreira algo discreto, mas imensamente de valor – The Blackcoat’s Daughter continua a ser uma das primeiras obras mais louváveis de género moderno – esta nova era do cineasta demonstra-se a ser a mais arriscada, deixando-nos muito desejosos em ver o que virá a seguir.
Nota Final: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.